Ginseng brasileiro

Pfaffia paniculata

Família: Amaranthaceae

Nomes comuns: pfaffia, ginseng-do-brasil, suma, paratudo, corango-sempreviva

Parte utilizada: raiz

Descrição e habitat
Ele é originário da bacia do Amazonas e de outras regiões tropicais do Brasil, do Equador, do Panamá, do Paraguai, do Peru e da Venezuela. O género Pfaffia é bem conhecido na América central e do sul, com mais de 50 espécies crescendo nas regiões tropicais mais quentes.

Utilização tradicional
O nome “paratudo” é indicativo da variedade dos casos de utilização. E isto é por conta das propriedades adaptogênicas da planta (propriedades igualmente encontradas no ginseng asiático) que aumentam a resistência do corpo às influências desfavoráveis e tem um efeito fortificante sobre o corpo no seu todo. Desta forma as populações locais o utilizam, por gerações, como um tónico geral, rejuvenescedor, tónico sexual e como remédio geral para numerosos tipos de doenças.

No Brasil, na fitoterapia, ele é utilizado para melhorar a oxigenação das células, estimular o apetite e a circulação, equilibrar os níveis de açúcar no sangue, reforçar o sistema imunitário, o sistema muscular e a memória. Ele permite combater a fadiga crónica, o cancro, a mononucleose, os tumores, a impotência, a artrite, a hipertensão, os sintomas da menopausa, a anemia e numerosas formas de stress.

No Equador ele é considerado como um tónico e um normalizador do sistema cardiovascular, do sistema nervoso central, do sistema reprodutivo e do sistema digestivo. Ele é utilizado para tratar as desordens hormonais, as disfunções sexuais e a esterilidade, a arteriosclerose, a diabetes, as desordens digestivas e circulatórias, os reumatismos e bronquites. Na Europa ele é utilizado para diminuir os efeitos secundários dos contraceptivos, contra o colesterol, para neutralizar as toxinas e como tónico geral reconstituinte na convalescença.
Utilização actual e princípios activos
Nutricionalmente a raiz de Pfaffia paniculata contém 19 diferentes aminoácidos, um grande número de electrólitos, traços minerais de ferro, magnésio, zinco, vitaminas A, B1, B2, E, K e ácido pantoténico. Seu alto teor de germânio é provavelmente a origem de sua utilização como oxigenador ao nível celular. Seu alto teor de ferro pode explicar sua utilização tradicional nos casos de anemia. A raiz contém também compostos originais de saponinas, de ácidos pfafficos, de glicósidos e de nortriterpenos.

A planta é também chamada “o segredo Russo” pois ela é utilizada pelos atletas olímpicos russos por anos, para aumentar a constituição muscular e fortalecer a resistência sem os efeitos secundários dos esteróides. Esta acção é atribuída a um composto do tipo anabolizante chamado beta-ecdisterona e de três glicósidos originais (ecdisteroides) que estão presentes em grandes quantidades na raiz.

A raiz contém uma alta taxa de saponinas (próximo de 11%). As saponinas particulares encontradas na raiz incluem um grupo químico original que os cientistas baptizaram pfaffosídeos. Estas saponinas demonstraram clinicamente uma capacidade de inibir as células de melanomas cancerosos (in vitro) e a regular os níveis de açúcar no sangue (in vivo).

Os pfaffosídeos e os ácidos pfafficos do ginseng brasileiro foram patenteados como compostos anti-tumorais em várias patentes japonesas em meados dos anos 80. Os estudos mais recentes têm demonstrado que a simples administração da raiz permite inibir a extensão dos linfomas e das leucemias. É necessário notar, entretanto, que essa actividade de inibição não elimina as células cancerosas.

Pesquisadores americanos (em 2000) estudaram os mecanismos de acção da capacidade da raiz de Pfaffia de restituir uma forma normal às células sanguíneas falciformes e concluíram confirmando os efeitos contra drepanocitose e reidratante das células falciformes (in vitro).

Composição: alantoina, beta-ecdisterona, beta-sistosterol, daucosterol, germânio, ferro, magnésio, nortriterpenoides, ácido pantoténico, ácido pfaffico, pfaffosídeos A-F, polipodina B, saponinas, sílica, stigmasterol, stigmasterol-3-o-beta-d-glucosido, vitamina A, B1, B2, E, K e zinco.

Preparação: O consumo se faz tradicionalmente no Brasil a partir de uma decocção de 10g de raiz fervida em 1L de água. Bebe- se duas taças da decocção por dia. Os herbanistas propõem também a raiz em pó sob a fórmula de cápsulas (a decocção tem um gosto bastante amargo) numa dosagem de 2 a 4g por dia, em função da condição de saúde. Essa dose é possível de ser fraccionada em 2 ou 3 vezes durante o dia.

Os estudos de toxidade em humanos revelaram ausência de toxidade até uma ingestão de 1,5g de raiz.

Contra-indicações:
Certos esteróis contidos na raiz podem ter propriedades ou actividades ligadas a um acréscimo na produção de estrogénio (não provado clinicamente), já que essa planta é utilizada tradicionalmente para regular a menstruação, tratar a menopausa e outros problemas hormonais. É portanto aconselhado às mulheres que sofram de distúrbios de excesso de estrogénio evitarem a utilização desta planta.
É atribuído ao pó da raiz a possibilidade de causar reacção alérgica asmática se inalado. Durante a preparação da decocção tomar cuidado para não respirar o pó/planta.

A ingestão de grandes quantidades de saponinas de plantas em geral tem revelado a possibilidade de causar ligeiros distúrbios gástricos como náuseas ou cãibras intestinais. Nesse caso é aconselhado simplesmente reduzir a dosagem.