Carqueja

Baccharis trimera

Família: Asteraceae (Composta)

Nomes comuns: carqueja, bacanta, carqueja-amargosa, carquejinha

Parte utilizada: partes aéreas

Descrição e habitat
A carqueja é uma erva de um verde vivo que cresce quase até 1m de altura e produz flores amarelo-esbranquiçadas no topo da planta. Os caules, verde-claro, chatos, têm uma consistência carnuda e suculenta e as bordas “aladas” substituem as folhas. O género Baccharis é composto de mais de 400 espécies nativas da América tropical e subtropical. Esta espécie de carqueja é nativa dos campos e bordas dos bosques do sul do Brasil, da Bolívia, do Paraguai, do Uruguai e do norte da Argentina.

Utilizações tradicionais
Os povos autóctones utilizaram essa planta durante séculos para tratar as afecções comuns. Sua utilização em fitoterapia foi registada pela primeira vez em 1931 por Pio Correa, que descreveu a carqueja como possuindo propriedades terapêuticas de um tónico, amargo, febrífugo e estomáquico, citando- o para casos de dispepsia, gastroenterite, desordens do fígado e diarreias. A carqueja é empregada popularmente no Brasil para mitigar as afecções hepáticas, fortalecer o estômago e as funções intestinais, eliminar as obstruções ao nível do fígado e da vesícula biliar. Além das acções hepáticas e como mostra eficácia na purificação do sangue e febrífuga, quase todos os livros publicados no Brasil sobre medicina com plantas incluem a carqueja. As outras utilizações populares da carqueja incluem o tratamento da malária, das diabetes, das úlceras de estômago, inflamação da garganta e amigdalite, as anginas, as anemias, as indigestões, a hidropsia, inflamações urinárias, desordens renais, a lepra e a má circulação sanguínea.
Utilização actual e princípios activos
Ela é utilizada como um tónico amargo para as desordens do fígado, do estômago, da vesícula biliar e do intestino. Ela acompanha também os regimes para emagrecer e ajudar a combater a anemia e a inapetência dos convalescentes.

A carqueja é uma fonte importante de flavonoides. Ela contém quase 20% de flavonoides, quercetina, luteolina, nepetina, apigenina e hispidulina. Os flavonoides são considerados os principais constituintes activos da carqueja. Numerosos compostos químicos originais foram identificados e denominados clerodane diterpenoides e em 1994 os cientistas demonstraram que seus compostos têm um forte efeito contra os vermes. Isto pode explicar a longa história da utilização da carqueja para expulsar os vermes intestinais. As utilizações tradicionais da carqueja foram estudadas e validadas pelas pesquisas. Suas propriedades antiácidas, anti-úlceras e hipotensivas estão documentadas. Os estudos concluíram que a carqueja “deve aliviar as desordens gastrointestinais resultantes das secreções ácidas e hiperactividade gastrointestinal”. Outros pesquisadores revelaram que a carqueja tem uma actividade que tende a aliviar a dor.

Finalmente, a utilização tradicional da carqueja nos casos de resfriados, gripes e vírus do estômago foram também verificadas pelos pesquisadores. Algumas das mais recentes pesquisas estão centradas sobre as propriedades anti-virais. Num estudo clínico em 1999, os pesquisadores espanhóis reportam que um extracto aquoso da carqueja demonstrou, in vitro, uma acção antiviral contra a herpes simples e sobre os vírus da estomatite vesicular.

A carqueja é considerada sem perigo e não tóxica.

Composição: acido 3,5-dicaffeoylquinico, alfa-felandreno, alfa-terpineno, alfa-ilangeno, beta-cariofileno, beta-felandreno, beta-pineno, calacoreno, camfeno, carquejol, cirsimaritin, clerodane, diterpenoides, elemol, eriodictiol, óleos essências, eudesmol, eugenol, eupatorine, eupatrino, farneseno, farnesol, flavonoides, genkwanin, germacrene D, glicosídos, hispidium, espiguinha, ledol, limoneno, linalol, luteolina, muroleno, mirceno, neptina, nerolidol, palustrol, pentadecanol, quercetina, resinas, sabineno, saponinas, spatulenol, spatulenol, squaleno, terpinoleno, viridifloreno e viridiflorol.

Preparação
12g em 500ml de água fria, deixar entrar em ebulição, apagar o fogo e deixar em infusão por 10 mim. Este remédio tradicional é habitualmente tomado duas ou três vezes por dia, com as refeições, para ajudar a digestão.
Ou ainda, 2g em cápsula ou em comprimido, ou 2-4ml de tintura tomados em cada refeição como auxiliar da digestão ou remédio para o fígado.
Para utilização externa local (dor e inflamação), uma decocção é feita a partir de 60g da erva em 1L de água e aplicada sobre a área afectada.

Contra-indicações
A carqueja não deve ser usada durante a gravidez pois ela parece agir como um estimulante uterino.

A utilização desta planta é contra indicada por pessoas que sofram de hipotensão pois ela possui propriedades hipotensivas. Da mesma forma, pessoas que sofram do coração e/ou sob medicação para esse efeito, devem falar com um médico antes de usar esta planta.

A carqueja é reconhecida cientificamente por baixar o nível de glicose do sangue. Por isso, sua utilização é contra-indicada por pessoas que sofram de hipoglicemia e os diabéticos devem consultar o médico antes de utilizar esta planta e depois fazer criterioso controlo dos níveis de açúcar do sangue.

Interacção medicamentosa
A carqueja pode reforçar os efeitos dos medicamentos contra a hipertensão, as diabetes e insulina.
A carqueja poderá também acelerar a eliminação de alguns medicamentos metabolizados no fígado reduzindo, dessa forma, os efeitos farmacológicos e/ou os efeitos secundários das drogas que são metabolizadas no fígado.